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Tudo indica que a ferrovia e o Porto de Porto do Mangue vão sair do papel

Trabalhos começam no final do ano

Jucurutu/Porto do Mangue - A Mineradora Mhag informa que iniciará, até o final do ano, os investimentos na estrutura de produção e beneficiamento na Mina de Jucurutu. Em 2008, está previsto o início das obras de construção do Porto de Graneleiros Sólidos, em Porto do Mangue, e do mineroduto ligando a mina ao litoral de Porto do Mangue. Estas duas obras estão previstas para ser concluídas em 2009.

Os investimentos estão estimados na ordem de US$ 622 milhões de dólares, conforme informa o diretor presidente da Mhag, empresário Pio Sachi. Sendo que aproximadamente R$ 122 milhões na construção do porto em Porto do Mangue e o restante na ampliação das linhas de produção, processamento e no mineroduto.

O diretor presidente da Mhag disse ainda que nessa empreitada espera contar com apoio do Governo do Estado. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Rosado, diz que o Estado está estabelecendo contatos e promete apoiar com incentivos fiscais.

O empresário aposta em parcerias para concretizar os investimentos. 30% da empresa foi vendido há poucas semanas ao Grupo Noble Group, do Japão. Pio Sachi não descarta captar outros recursos para concluir o projeto conforme previsto. Quer ampliar a linha de produção, melhorar o processo de beneficiamento do ferro bruto e principalmente ampliar a exportação das atuais 50 mil toneladas/mês para 300 mil toneladas/mês.

A primeira fase dos trabalhos de ampliação na linha de produção de processamento, em Jucurutu, deverá ficar pronto até o final de 2008, quando está previsto o início das obras do terminal de granéis e do mineroduto, ambos com expectativa de conclusão para 2009.

Neste mesmo ano, está previsto o início da segunda fase de expansão da mina. Segundo Sacchi, quando todo o complexo estiver funcionando, serão criados 1.290 postos de trabalho.

Sobre o projeto do terminal de graneleiros sólidos, o empresário não descarta que seja também usado para embarques de calcário e até sal, desde que estes segmentos participem da implantação do projeto. Segundo Sachi, existem vários parceiros com potencial interessados, pois o projeto é viável economicamente."A cada dia o mercado quer comprar mais e é preciso uma logística que torne o fornecimento estável e seguro", diz o titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Caetano Rosado, sobre a logística do ferro.

O projeto foi inicialmente idealizado pelo presidente da Companhia das Docas do Rio Grande do Norte (CODERN), Renato Fernandes. Na verdade, segundo Fernandes, trata-se de um projeto mais amplo e mais importante para a economia do Rio Grande do Norte, que prevê uma rede de ferrovia interligando a cadeia de produção de Mossoró, Vale do Açu, Seridó, com os terminais de exportação por mar e pelo ar de Natal.

Carretas serão mantidas com Porto graneleiros

O crescimento é necessário porque a Mhag está ganhando mercado, principalmente no Oriente Médio, e o esquema usado atualmente para produzir e transportar ferro é limitado, segundo informa o presidente da Mhag, Pio Sachi

Diariamente, as carretas que saem da Serra do Bonito, em Jucurutu, dão cerca de 30 viagens/mês para levar o minério até a cidade de Juazeirinho, localizada a 180 quilômetros da mina, já no Estado da Paraíba.

De lá, o ferro segue em vagões de trens por mais 530 quilômetros até o Terminal Portuário do Suape, distante 30 quilômetros de Recife, no Estado do Pernambuco.Apesar de longa e aparentemente dispendiosa, a viagem não vai ser deixada de lado pela Mhag, quando o terminal potiguar estiver pronto. "Sem dúvidas, vamos construir o terminal de granéis sólidos", assegura o diretor-presidente da Mhag, Pio Sacchi a Tribuna do Norte.

A empresa vai erguer a estrutura sozinha ou em parceria com outras companhias. Se construir o terminal sem sócios, a Mhag também poderá prestar serviços a outras empresas interessadas, como as processadoras de calcário que estão fazendo planos de se instalar em Mossoró.

A Mhag, que já vendeu 30% de participações a Noble Group, vai abrir seu capital no fim de 2008 e, assim, obter novas fontes de receita. Contudo, até o fim do ano, Sacchi espera ter o projeto pelo menos aprovado. Com a autorização em mãos, a companhia vai se aproximar das empresas ligadas à exploração de calcário que já demonstraram interesse.
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